Cadeiras de rodas e bengalas, não são mais o limite.

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Deficientes fisícos em mergulho - Arraial do Cabo.

Não fique surpreso ao ver limitados, mergulhando o com grupo TC. Seja um obeso, um surdo mudo, um cego, paraplégico,amputados, sequelados de talidomida, ou paralisia, ou um  tetraplégico, e daí pra fora… Pode ver tambem com frequencia crianças com 8 aninhos e idosos com 80 anos, agregando valor em nossas expedições de mergulho, e mergulhando como todo grupo. Chegamos a maturidade de informações no preparo do mergulhador sem limites. Não é milagre e nem aventuras arriscadas. É um trabalho que vem crescendo no mundo todo e integrando o cidadão “deficiente” ao mundo dos “eficientes”. Trata-se de uma inovação de mergulho adaptado que criamos a partir dos anos 70. Demos um nome sugestivo na época, que virou até camisetas, e lei municipal “ Humanitarian Dive”. Isso é pura técnica sem preconceitos, e claro sem ambições, coisa de instrutores idealistas, com um vasto currículo de esperiência mergulhos e adaptações, criatividade, paciência e respeito ao próximo; Que fique claro a indiscutivel experiência de instrutoria, que inegavelmente precisa de conhecimentos de fisiologia, devido diferenças de  temperatura corpórea, perda de calor, riscos com ferimentos, trasporte sanguineo, sonda coletora de urina, escaras em posições desconfortáveis etc.

Não existe nenhuma “receitinha de bolo”, e muito menos fórmulas acadêmicas para isso, como gosta o “glamour americano”. A pratica adaptada do mergulho deve ser compatível com o estado psicológico e físico do aluno, onde a gente sempre encontra uma adaptação para cada tipo de limitação. Para isso basta assumir uma postura semelhante no mundo dos limitados. A confiança entre aluno e instrutor deve ser expontanea. Experimente, é so tentar mudar os passos ou ficar de pé e sentir, que nossas pernas não respondem, e sentir as dificuldades, como se nossos intestinos e bechigas também não funcionassem, e se não tivessemos impulsos para caminhar,para ver, ouvir, falar, apesar de nossa vontade. Como vê, tudo fica mais difícil no mundo dos limitados. Por isso, desenvolvemos o trabalho desde 1980, com escassos recursos humanos, onde através do mergulho podemos fazer a pessoa deficiente, mudar do seu mundo escuro e estático, para um mundo colorido e agitado dos eficientes.  Quem tiver na família uma pessoa limitada, e puder ajudá-la oferecendo mais qualidade de vida, tente o mergulho e converse com a gente. Temos um jeitinho todo especial de devolver a qualidade de vida para os limitados, e certamente integrá-lo nessa sociedade de “eficientes”, e com certeza  permitindo uma melhor qualidade de vida, tanto na parte respirátoria, quanto na parte física, integração social e auto estima. O mergulho autonômo nos permite fluir na água com pequenos movimentos criados a partir da respiração, com uma ajuda auxiliar de evasão a mais no regulador, onde desencadeia movimentos abdominais, que são trasmitidos na extremidade, as nadadeiras, que tambem servem como coadjuvantes no equilibrio da flutuabilidade. Movimentos imitando golfinhos surgem espontaneamente, e o homem que a sociedade chama de “cadeirante”- (que por sinal, esse rótulo não me agrada nem um pouco) começa então a descobrir as maravilhas do fundo do mar.

Antonio Dias: instrutor fisiologista

 

2 Comentários para Cadeiras de rodas e bengalas, não são mais o limite.

  1. Danilo Avila disse:

    ?”As ilustrações são propensas ao engano, especialmente quando é necessário
    um grande número de tintas para imitar a natureza”.
    Hoje sofisticados equipamentos digitais proporcionam uma idéia deste
    imitar…
    …E mesmo após um acidente e uma tetraplegia herdada não me limitei as
    ilustrações!
    Obrigado Mestre TC por me mostrar a natureza do “mundo aquático”!
    Danilo Avila

  2. Kelen disse:

    Nossa que exemplo de integração! Com fundamental ajuda de quem orienta é possível quebrar paradigmas. Parabéns a toda equipe TC Scuba.

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